Uma raça alienígena formada por humanoides de cor azulada com mais de três metros de altura, também conhecidos como Na´vi, é ameaçada pela invasão dos terráqueos do século XXII, em Pandora, seu planeta natal – um ambiente formado por uma grande massa de gás onde os humanos mal conseguem respirar. Através de um programa de clones que recria híbridos entre humanos e Na´vis, estes terráqueos com o DNA modificado, os tais Avatares, são controlados mentalmente por seus donos, e condicionados a encontrar um mineral que pode mudar o jogo em relação à produção de energia na Terra. A trama realmente remete a um filme de ficção científica de primeira.
Durante a conferência da Ubisoft, na E3 deste ano, poucos se entusiasmaram quando James Cameron, cineasta responsável por True Lies e Titanic, anunciou que o jogo baseado em seu mais recente filme receberia uma versão para Wii – ainda mais depois do anúncio de que todos os videogames da atual geração receberiam Avatar: The Game. Seguindo os estigmas deixados por outros jogos lançados para Xbox 360 e PlayStation 3, adaptados depois para o Wii, seria até normal receber um game com qualidade abaixo do esperado, e que não utiliza as funcionalidades únicas do sistema. Ainda mais quando se trata de games baseados em obras cinematográficas... O novo jogo da Ubisoft felizmente quebra este paradigma.
Uma versão especial para Wii
Ao contrário do que acontece com algumas adaptações de jogos para Wii, em vez de investir em uma adaptação, a Ubisoft escalou uma equipe só para cuidar da versão para o console da Nintendo, que acabou resultando em uma versão que complementa a história do filme. Em James Cameron´s Avatar: The Game, você parte em diferentes missões que não buscam explorar o que será visto no longa, com estreia marcada para o dia 18 de dezembro nos cinemas de todo o Brasil. Nas versões para PlayStation 3 e Xbox 360, a história se desenrola da mesma maneira que a do filme protagonizado por Jake Slly “um ex-fuzileiro paraplégico que trabalha em exploração de minas”. No Wii você assume o comando de Ra´uk, um dos Na´vis nativos do exuberante e hostil planeta Pandora, com a missão de impedir que os Avatares realizem a gananciosa expedição para roubar os preciosos minerais.
Ficção científica hi-fi anti-sedentária
Misturando ação furtiva e aventura tridimensional em terceira pessoa, o destaque de James Cameron´s Avatar: The Game está no suporte aos quatro diferentes controles: Wii Remote acoplado ao Wii MotionPlus, o Nunchuk e a balança sensorial Wii Balance Board. Controlado pelo direcional analógico do Nunchuk, Ra´uk deve proteger a selva por um sistema de espionagem bem similar ao estilo do clássico Metal Gear Solid, porém sem a mesma profundidade. Além de posicionar a câmera por detrás do personagem, com o Z apertado, Ra´uk observa as andanças dos soldados Avatares na espreita. Quando a sua preza estiver bem próxima ao seu esconderijo, com o Wii Remote em mãos, basta apertar o botão B para realizar o movimento mostrado na tela e desferir um ataque silencioso surpresa. Caso seja localizado, o sensor de movimento do Wii Remote é utilizado para os golpes básicos do cajado de Ra´uk em combate, captados de acordo com seus movimentos.
Embora não seja obrigatório, o uso do Wii MotionPlus faz diferença. Além de respostas e movimentos mais precisos, o acessório também oferece um conteúdo exclusivo. Quando estiver próximo a uma colmeia, ao mirar o cursor e apertar o A, o jogador assume o controle do voo de abelhas assassinas para distrair os soldados em bando. O periférico é necessário, pois as abelhas são controladas através de giros – movimentos que não seriam reconhecidos pelo controle sem o acessório. Apesar de lembrar o sistema de controle de Air Sports (modalidade esportiva de WiiSports Resort), não é tão preciso quanto o jogo da Nintendo.
O sexto sentido de Ra´uk mostra qual o próximo caminho a seguir, e é ativado no botão C do Nunchuk. Em uma das fases, onde o protagonista recupera seu arco e flecha, a mira é controlada pelo direcional analógico. Um dos momentos mais marcantes de Avatar: The Game, é sem dúvida as fases de voo, em que Ra´uk enfrenta aeronaves em cima de uma criatura alada, enquanto desvia de montanhas rochosas e outros obstáculos. Imagine que além de sobrevoar por lindas paisagens atirando nos inimigos com o Wii Remote, o sistema de voo pode ser controlado pelos movimentos do seu corpo, reconhecidos pelo Wii Balance Board. Haja coordenação!
O Jardim dos sonhos também tem espinhos
A qualidade visual das coloridas florestas densas de Pandora impressiona. O cenário é composto por muitas cores, formas e faunas luminosas, tudo aparecendo a 60 frames por segundo na tela. Isso não só reduziu o abismo existente entre as diferentes plataformas, como pincelou um dos gráficos mais bonitos no Wii. Mas, nem todos os efeitos de partículas, de física e sombras dinâmicas conseguiram esconder alguns defeitos primários, como à construção em pop-up em folhagens, a forma com que os inimigos se esvaem quando são derrotados, problemas de câmera e uma pequena queda de frames quando há muitos elementos na tela.
Na parte sonora, Avatar: The Game mistura efeitos sonoros tridimensionais, interativos e cristalinos que reproduzem a natureza com fidelidade, com músicas inexpressivas e repetitivas, que acabam inspirando combates mornos. Apesar de utilizar um sistema de combate genérico, a Ubisoft conseguiu entregar um bom, com produção acima da média, que oferece um inovador sistema de controles. Mas, por que a pressa de lançar um game de aventura baseado num longa-metragem de ficção científica que ainda nem estreou nos cinemas?
Nota Lxgamer para Review: Avatar: The Game
8.0 Gráficos
6.0 Som
8.0 Jogabilidade
7.0 Diversão
7.0 Single Player
7.0 Multiplayer
7.0 Média
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